APLV: o que é a alergia à proteína do leite de vaca e como o nutricionista trata
A APLV é a alergia alimentar mais comum do bebê e a que mais gera diagnóstico errado, nos dois sentidos.
APLV é a alergia à proteína do leite de vaca, a alergia alimentar mais frequente nos primeiros anos de vida, com prevalência entre 2% e 3% dos bebês. É uma reação do sistema imune às proteínas do leite, principalmente caseína e proteínas do soro, e não tem relação com a lactose, que é o açúcar. O tratamento é a exclusão completa do leite de vaca e derivados, da dieta do bebê e, quando ele mama, da dieta da mãe, até a tolerância se desenvolver, o que acontece na maioria das crianças até os três a cinco anos.
Sintomas da APLV
| Tipo | Tempo de reação | Sintomas |
|---|---|---|
| Mediada por IgE | Minutos a duas horas | Urticária, inchaço de lábios e olhos, vômito imediato, chiado, anafilaxia |
| Não mediada por IgE | Horas a dias | Refluxo intenso, cólica persistente, diarreia, sangue nas fezes, dermatite atópica, baixo ganho de peso |
| Mista | Variável | Combinação, com esofagite eosinofílica em alguns casos |
A forma não mediada por IgE é a mais comum e a mais difícil de diagnosticar, porque os testes de alergia vêm negativos e os sintomas se parecem com cólica e refluxo comuns. O diagnóstico é feito pelo pediatra ou alergista com exclusão do leite por duas a quatro semanas e reintrodução supervisionada, que confirma ou afasta a alergia.
APLV e intolerância à lactose não são a mesma coisa
Intolerância à lactose é a falta da enzima que digere o açúcar do leite, rara em bebês, e resolve com produtos sem lactose. APLV é alergia à proteína, e produtos sem lactose continuam tendo a proteína: são igualmente proibidos. Bebês com APLV precisam de fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos, não de fórmula sem lactose nem de leite de cabra, cuja proteína reage de forma cruzada.
A dieta da mãe que amamenta
O leite materno continua sendo a melhor alimentação do bebê com APLV. A mãe exclui leite e derivados da própria dieta, incluindo os escondidos em pão, biscoito, embutidos e molhos, e mantém a amamentação. Como o cálcio da mãe cai sem laticínios, a suplementação de cálcio e a reposição por vegetais verde-escuros, sardinha, gergelim e bebidas vegetais fortificadas são parte do plano. Excluir também soja e ovo só se houver indicação, porque restrições em cascata levam a desnutrição materna e a abandono da amamentação.
O que o nutricionista faz
- Ensina a exclusão completa com leitura de rótulos: a rotulagem brasileira obriga o alerta de leite e derivados.
- Garante cálcio, vitamina D, proteína e energia para a mãe e para o bebê.
- Orienta a introdução alimentar do bebê sem leite, com todas as outras texturas e alimentos no tempo certo, inclusive os alergênicos, que não devem ser adiados.
- Acompanha peso e crescimento, que são o principal indicador de que o plano está funcionando.
- Prepara e acompanha a reintrodução gradual quando o alergista libera, muitas vezes começando por leite cozido em bolo, pela escada do leite.
O acompanhamento da APLV é feito com pediatra e alergista, e a parte nutricional pode ser presencial, na consulta da nutricionista em Goiânia, no Jardim América, ou a distância, com a mãe enviando os rótulos por foto. Quando o bebê está na fase de começar os sólidos, o artigo sobre introdução alimentar com nutricionista orienta os passos sem leite.
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