TARE: o que é o transtorno alimentar restritivo evitativo, sintomas e tratamento
Não é frescura nem medo de engordar: no TARE a pessoa evita comida por sensação, por medo de engasgar ou por falta de interesse, e emagrece sem querer.
TARE é a sigla de transtorno alimentar restritivo evitativo, um transtorno alimentar reconhecido desde 2013 em que a pessoa restringe a alimentação por motivos que não têm a ver com peso ou imagem corporal: sensibilidade sensorial a textura e cheiro, medo de engasgar ou vomitar depois de um episódio traumático, ou simples falta de interesse em comer. O resultado é perda de peso ou crescimento comprometido, deficiências nutricionais, dependência de suplemento e prejuízo social, como não conseguir comer fora de casa. Ele aparece em crianças, adolescentes e adultos, e é frequente no autismo e na ansiedade.
Sintomas do TARE
- Repertório alimentar muito reduzido, muitas vezes abaixo de vinte alimentos, mantido por anos.
- Recusa de alimentos por textura, cheiro, cor ou temperatura, com reação intensa, não só desagrado.
- Medo de engasgar, vomitar ou passar mal, às vezes após um episódio específico, com evitação de sólidos.
- Pouco apetite e pouco interesse pela comida, refeições demoradas, esquecimento de comer.
- Perda de peso, ou em crianças, peso e altura abaixo do esperado.
- Anemia, deficiência de vitaminas, cansaço, frio, queda de cabelo.
- Ansiedade diante de refeições sociais e comida desconhecida.
Diferença para seletividade e para anorexia
| Aspecto | Seletividade comum | TARE | Anorexia nervosa |
|---|---|---|---|
| Motivo da restrição | Preferência, fase do desenvolvimento | Sensorial, medo de consequência, desinteresse | Medo de engordar, distorção da imagem |
| Peso e nutrição | Preservados | Comprometidos | Comprometidos |
| Preocupação com o corpo | Ausente | Ausente | Central |
| Reação ao alimento | Recusa, mas experimenta com o tempo | Aversão intensa, ânsia, pânico | Recusa por controle |
| Tratamento | Orientação alimentar | Equipe: nutrição, psicologia, medicina | Equipe especializada em transtornos alimentares |
Como o tratamento é feito
O TARE é tratado em equipe. O médico afasta causas orgânicas e acompanha o estado clínico; o psicólogo trabalha a ansiedade, o trauma e a exposição gradual com terapia cognitivo-comportamental adaptada; o nutricionista garante a nutrição e conduz a ampliação do repertório. Em crianças, a família é parte ativa do tratamento e recebe orientação sobre o ambiente das refeições. Em casos graves, com perda de peso importante, o tratamento pode começar com suplementação nutricional ou internação para estabilizar.
O papel do nutricionista
- Avaliar o dano: peso, crescimento, exames de ferro, vitaminas, zinco e proteínas, e o que a dieta atual cobre.
- Estabilizar: montar, com os alimentos aceitos e suplementos quando necessário, uma alimentação que pare a perda de peso e reponha o que falta.
- Ampliar com método: hierarquia de alimentos do mais próximo do aceito ao mais distante, exposição em passos pequenos, sem pressão, coordenada com o psicólogo.
- Trabalhar a rotina: horários, ambiente e estrutura das refeições, com a família ou com o próprio adulto.
- Acompanhar por meses: o progresso é lento, e cada alimento novo aceito é mantido antes do próximo.
O que não fazer
Forçar, punir, usar a comida como moeda, ridicularizar a aversão ou tratar como capricho. No TARE a aversão é real e a pressão piora. Também não funciona a restrição de suplementos ou de alimentos preferidos na expectativa de que a fome resolva: a pessoa com TARE prefere não comer.
O tratamento nutricional do TARE é feito na consulta presencial com a nutricionista em Goiânia, em conjunto com psicólogos e pediatras da cidade, e a distância para famílias que já têm equipe local e precisam da parte nutricional. Quando a restrição tem a preocupação com o peso como motivo, o quadro é outro e o artigo emagrecer sem culpa aborda a relação entre restrição e compulsão.
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