Nutricionista renal: o que muda na alimentação de quem tem doença nos rins

Na doença renal a dieta certa muda de estágio para estágio, e a proteína que protege num momento sobrecarrega no outro.

Prato com arroz, clara de ovo, abobrinha e maçã cozida, refeição controlada em potássio e fósforo

Nutricionista renal, ou nutricionista de nefrologia, é o profissional que cuida da alimentação de quem tem doença renal crônica, em qualquer estágio, do diagnóstico inicial à diálise e ao transplante. Nenhuma outra condição muda tanto a dieta conforme a fase: a proteína que retarda a progressão no início precisa subir na diálise, o potássio que era livre passa a ter limite, e o fósforo escondido nos ultraprocessados vira o principal inimigo. Por isso o acompanhamento é individual e caminha junto do nefrologista e dos exames.

O que os rins fazem e o que a dieta ajusta

Os rins filtram o sangue, eliminam ureia, potássio, fósforo, sódio e excesso de água, e regulam a pressão e a produção de vitamina D ativa. Quando a filtração cai, essas substâncias se acumulam, e a alimentação passa a controlar a entrada delas. A taxa de filtração glomerular, medida pela creatinina, define o estágio, de 1 a 5, e cada estágio tem metas próprias.

Proteína: nem muita, nem pouca

Nos estágios 3 a 5 sem diálise, a dieta reduz a proteína para cerca de 0,6 a 0,8 gramas por quilo de peso, com prioridade para fontes de alto valor biológico, porque menos proteína significa menos ureia e menos trabalho para o rim, o que retarda a progressão. Na hemodiálise a lógica inverte: o procedimento perde aminoácidos e a inflamação consome músculo, e a proteína sobe para 1,0 a 1,2 gramas por quilo. Errar o sentido é o erro mais grave da dieta renal, e é comum em quem segue orientação de internet feita para outro estágio.

Potássio, fósforo e sódio

Minerais que a dieta renal controla e onde eles estão.
MineralQuando limitarOnde estáEstratégia
PotássioQuando o exame sobe, em geral estágios 4 e 5Banana, laranja, batata, feijão, tomate, chocolate, água de cocoCozinhar legumes em bastante água e descartá-la; frutas de menor teor como maçã e pera
FósforoA partir do estágio 3, conforme exameUltraprocessados com aditivos fosfatados, refrigerante cola, embutidos, queijos, leiteCortar os aditivos primeiro; o fósforo natural de carnes e leguminosas é menos absorvido
SódioEm todos os estágiosSal, temperos prontos, embutidos, conservas, pãoMenos de 2 g por dia; ervas e limão no lugar do sal
LíquidoNa diálise ou quando há inchaçoÁgua, sucos, sopas, gelatina, frutas aquosasCota diária calculada pela urina residual e pelo ganho entre sessões

O que o nutricionista renal faz na prática

  • Calcula proteína, energia e minerais para o estágio atual e refaz a conta a cada mudança de exame.
  • Evita a desnutrição, que é o maior risco em quem restringe demais e o maior preditor de mau prognóstico na diálise.
  • Ensina o preparo que reduz potássio e o rótulo que esconde fósforo.
  • Ajusta a dieta ao diabetes e à hipertensão, que causam a maioria dos casos de doença renal.
  • Acompanha peso seco, albumina, potássio, fósforo, PTH e bicarbonato junto com o nefrologista.

O que não fazer

Dieta hiperproteica para emagrecer, suplementos de proteína e creatina sem orientação, chás diuréticos e produtos para limpar os rins, anti-inflamatórios sem receita e sal light, que é feito de potássio. Cada um deles piora um exame específico e alguns levam à internação. Na dúvida sobre qualquer produto, a regra é perguntar antes ao nefrologista ou ao nutricionista.

A dieta renal é uma das mais técnicas da nutrição clínica e costuma ser ajustada mês a mês. A nutricionista clínica em Goiânia, no Terra Office, atende pacientes encaminhados por nefrologistas da cidade e acompanha a distância quem faz diálise em outras regiões, sempre com os exames em mãos. Para o quadro que costuma vir junto, o artigo sobre nutricionista para diabetes complementa a leitura.

Quer aplicar isso na sua rotina com acompanhamento? Veja consulta com nutricionista para o seu caso.

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes

O que faz um nutricionista renal?

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Ajusta proteína, energia, potássio, fósforo, sódio e líquido conforme o estágio da doença renal e os exames, evita desnutrição e trabalha junto do nefrologista, antes e durante a diálise.

Quem tem doença renal pode comer proteína?

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Pode e precisa, na quantidade certa para o estágio: reduzida antes da diálise, para poupar o rim, e aumentada na hemodiálise, para repor o que o procedimento perde.

Quais alimentos são ricos em potássio e devem ser limitados?

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Banana, laranja, batata, feijão, tomate, chocolate, água de coco e frutas secas. A limitação só é necessária quando o exame de potássio sobe, e cozinhar legumes em água reduz o teor.

Sal light pode na doença renal?

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Não. O sal light substitui parte do sódio por potássio, que é justamente o mineral que o rim doente não elimina bem.

Nutricionista nefrologista e nutricionista renal são a mesma coisa?

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Sim. Os dois nomes se referem ao nutricionista que atua na área de nefrologia, com pacientes com doença renal em qualquer estágio.