Intolerância e alergia alimentar: diferença, diagnóstico e qual profissional procurar
Alergia pode matar e reage a um traço; intolerância incomoda e depende da dose. Confundir as duas leva ou ao risco ou à restrição inútil.
Intolerância alimentar e alergia alimentar são confundidas todo dia, inclusive em consultório, e a confusão tem consequência: quem tem alergia e acha que é intolerância se arrisca; quem tem intolerância e acha que é alergia corta alimentos para sempre sem necessidade. A diferença está no mecanismo. Alergia é reação do sistema imune a uma proteína do alimento, imediata ou tardia, que ocorre com qualquer quantidade. Intolerância é a incapacidade de digerir ou processar um componente, geralmente por falta de enzima, e depende da dose.
Diferenças que importam
| Aspecto | Alergia alimentar | Intolerância alimentar |
|---|---|---|
| Mecanismo | Sistema imune, com anticorpo IgE ou células | Enzima ausente, absorção deficiente ou sensibilidade a compostos |
| Quantidade | Qualquer, inclusive traços | Depende da dose; pequenas quantidades costumam ser toleradas |
| Tempo | Minutos a duas horas na IgE; horas a dias na não IgE | Trinta minutos a algumas horas |
| Sintomas | Urticária, inchaço, vômito, chiado, queda de pressão, anafilaxia | Gases, distensão, diarreia, dor de cabeça, náusea |
| Gravidade | Pode ser fatal | Incômoda, não perigosa |
| Exemplos | Leite, ovo, amendoim, castanhas, trigo, soja, peixe, frutos do mar | Lactose, frutose, histamina, glutamato, sulfitos, FODMAPs |
| Tratamento | Exclusão total, plano de emergência, acompanhamento com alergista | Ajuste de dose, enzima quando existe, reintrodução gradual |
Qual profissional cuida de cada uma
Alergia alimentar é diagnosticada e acompanhada pelo alergista ou imunologista, com história clínica, testes cutâneos, IgE específica e, quando necessário, teste de provocação oral supervisionado. Intolerâncias são diagnosticadas pelo gastroenterologista ou pelo nutricionista, com testes específicos como o respiratório de lactose e de frutose, ou por dieta de exclusão e reintrodução. Nos dois casos o nutricionista entra para montar a alimentação: na alergia, para excluir o alérgeno sem deixar faltar nutriente; na intolerância, para encontrar a quantidade tolerada e evitar restrições desnecessárias.
Exames que não valem
Testes de IgG para dezenas de alimentos, testes de bioressonância, de fio de cabelo e de sensibilidade alimentar vendidos por laboratórios e clínicas não têm validade para diagnosticar alergia nem intolerância. A IgG contra um alimento indica só que a pessoa o comeu; sociedades de alergia do mundo inteiro desaconselham o uso. Dietas de exclusão baseadas nesses testes empobrecem a alimentação e criam medo de comer sem resolver o sintoma.
O que o nutricionista faz
- Na alergia: ensina a leitura de rótulos, a contaminação cruzada e as substituições, e garante cálcio, proteína e vitaminas sem o alimento excluído; em crianças, acompanha o crescimento e a reintrodução quando o alergista libera.
- Na intolerância: conduz a exclusão curta e a reintrodução, define a dose tolerada, orienta enzimas quando existem e mantém a dieta o mais ampla possível.
- Nos dois casos: diferencia de outros quadros com sintomas parecidos, como SIBO e intestino irritável, e desmonta restrições sem base.
Pessoas que chegam com listas de alimentos cortados por testes sem validade costumam recuperar boa parte da dieta na primeira fase do acompanhamento, seja na consulta presencial no Terra Office, em Goiânia ou no atendimento online. As intolerâncias mais comuns têm artigos próprios: intolerância à lactose e histaminose. A alergia à proteína do leite em bebês está em APLV e o papel do nutricionista.
Quer aplicar isso na sua rotina com acompanhamento? Veja atendimento nutricional online.